Uma leve ondulação do destino. Estará gravada nos nossos corpos e actos como uma inclusão na rocha, um fóssil do que está para vir ? O que fazem as figurinhas de madeira na oficina do bonecreiro, rodando num disco animado de movimento perpétuo, ora lento, ora lesto ? De olhos fechados caminhamos como se víssemos e o que vemos sempre aí esteve. Seremos capazes de ver o que não se pode ver ? A nossa sabedoria desvanece-se na oficina do bonecreiro. Daí a necessidade de uma certeza inquestionável.
- O que queres de mim ?
- Saber.
- Já te disse tudo o que tinha para te dizer.
- Então não há mais nada ?
- Não disse isso.
- Quando, então ?
- Esse conhecimento está-te vedado. A tua leve natureza não comportará o fardo. Terás de escolher entre a ignorância e a loucura. Permiti-me decidir por ti.
- Queres dizer que não há solução ?
- A mentira é a única solução. Escolhe uma e vive por ela até ao fim dos teus miseráveis dias.
- Poderei viver bem assim ?
- Se esqueceres que vives por uma mentira...
- E senão ?
- Restam-te duas escolhas. Vê aquele homem que pratica o mal em todos os seus actos e que tem disso consciência. Ele fez a primeira escolha. O orgulho impede-o de parar. Assim os seus concidadãos têm de o fazer por ele, se conseguirem superá-lo em indústria, mas a grandes expensas de recursos e de carácter.
- E a outra ?
- A segunda opção, tu conhece-la. Não pensas noutra coisa desde os teus dezoito anos. Abstenho-me de a nomear.

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