24.7.04

Perguntas-me o que posso trazer-te. Tudo o que tenho para ti é o fogo e a pedra. Trazes nas mãos pó e secura e eu trago-te fogo e pedra. Perguntas-me de onde vieram as lavas que destroem este corpo e eu digo-te que foste tu que libertaste a força da Terra. Arde e consome-te e que as cinzas te sequem até ao âmago. A sorte que nos foi lançada não podia ser evitada. Foi prevista por vísceras e folhas de chá há mil anos e três dias como apêndice de uma história maior, uma história que todos contaram até à secura dos seus ossos. E agora chegou a minha vez e a tua. E procuro uma forma de alterar o que vou fazer a seguir e vejo vísceras e folhas de chá desaparecidas há mil anos e três dias. Os braços são comandados por uma história que já está escrita e da qual somos um apêndice sem sentido. Por isso a lava corre e os braços pendem à espera que o tempo faça o seu trabalho. A fuga é uma linha a ligar dois pontos do mesmo desespero.